Brasileiro Gian Bergamini sai na primeira rodada do Red Bull X-Fighters no México, mas comemora: “Foi o dia mais divertido da minha vida”.
Os fãs mexicanos, as bolsas de aposta e os especialistas em motocross freestyle – incluindo a maior lenda da modalidade, Travis Pastrana – esperavam uma vitória do espanhol Dany Torres na primeira etapa do Red Bull X-Fighters, principal campeonato de motocross freestyle do mundo, que se iniciou nessa sexta-feira (4/4) na Cidade do México.Nenhum deles, porém, lembrou-se de avisar Mat Rebeaud. Em uma atuação espetacular, o suíço surpreendeu o espanhol na finalíssima e conquistou pela segunda vez (a primeira havia sido em 2006) o título na capital mexicana. Torres, vencedor no ano passado, teve de contentar-se com o segundo lugar.
A prova na Monumental Plaza de Toros, que recebeu 40 mil fãs, marcou também a estréia do brasileiro Gian Bergamini no Red Bull X-Fighters. O paulista de 26 anos deparou-se com um dos favoritos, o americano Jeremy Lusk, logo na primeira rodada, e deu adeus na primeira fase apesar de uma apresentação sólida, em que mostrou grande variedade de manobras.
“Foi o dia mais divertido da minha vida”, comemorou Gian, que será um dos brasileiros participantes da primeira visita do X-Fighters ao Brasil, mês que vem (3/5) no Sambódromo do Rio de Janeiro. “Andar de moto diante de 40 mil pessoas e enfrentando os melhores do mundo foi uma experiência que eu vou levar para sempre na minha vida. Além disso, estou bastante satisfeito: consegui fazer uma prova sem cometer erros, me mantendo tranqüilo o tempo inteiro. Agora, mal posso esperar para competir no Rio de Janeiro. Vai ser sensacional”.
Lusk enfrentou nas quartas de final o francês Thomas Pages, responsável pelo momento mais tenso da noite: tentando uma manobra dificílima, um backflip double-grab (um salto mortal para trás em que o piloto deixa a moto completamente no ar, a agarra novamente, a solta mais uma vez e finalmente aterrissa), Pages falhou no pouso e caiu de sua Suzuki, sendo arrastado por toda a extensão da rampa de aterrissagem. Com grande presença de espírito, o francês levantou-se imediatamente, levando a torcida mexicana ao delírio.
Também nas quartas-de-final, outro favorito, o australiano Robbie Maddison, acabou derrotado pelo americano Jeremy Stenberg. Maddison ainda teve o azar de ter a suspensão traseira de sua Honda quebrada no último salto, tamanha a violência da aterrissagem. Nas semifinais, Torres derrotou Lusk e Rebeaud passou por Stenberg, alinhavando o duelo que todos esperavam. Apesar do apoio maciço dos fãs locais, o espanhol Torres não foi capaz de igualar os impressionantes backflip tsunami (mortal para trás estendendo as pernas por cima da cabeça na vertical) e backflip indian (a mesma manobra, retirando as duas pernas para o mesmo lado da moto) de Rebeaud, que conquistou o segundo triunfo de sua carreira no X-Fighters.
“Foi uma vitória muito especial”, admitiu Rebeaud. “Ter quarenta mil mexicanos enlouquecidos no meu ouvido me deu uma energia insana. Esqueci de qualquer medo ou tensão que tinha nos momentos antes da final. Treinei feito um louco nesse inverno para chegar aqui nessa condição, e só quem vive a rotina do motocross freestyle sabe o sabor que uma vitória dessas tem. – faz cada osso quebrado ao longo da carreira valer a pena”.
Rebeaud e Torres, além de Maddison e do próprio Bergamini, serão algumas das estrelas que estarão em ação no Red Bull X-Fighters Rio de Janeiro, segunda etapa do mundial que passa ainda por EUA, Alemanha e Espanha.
Flo Hagena
Gian e Maddison
Jörg Mitter