cobertura banespa Galeria Experiência

Capital cultural e financeira do país, São Paulo é a cara das pessoas que nela vivem: uma mistura. São baianos, gaúchos, piauienses, angolanos, libaneses, italianos, japoneses e até... paulistas. Não importa de onde venham, todos são recebidos de braços abertos e, mais cedo ou mais tarde, acabam estabelecendo raízes na Paulicéia Desvairada.

Essa salada se reflete também na cena musical, com espaços democráticos que vão dos mais alternativos inferninhos às grandes casas de show. A programação, cheia de segunda a segunda, é certeza de atender aos mais variados gostos. Afinal, com mais de 10 milhões de habitantes, tudo tem seu público.

Dá para curtir o bom e velho rock’n’roll, ouvir aquele chorinho camarada em algumas praças, comparecer a um concerto de música clássica e depois esticar nas tantas opções de música eletrônica, funk ou pop espalhadas pela cidade. Os paulistanos, de berço ou escolha, ainda têm o trunfo da pluralidade, que permite que as diferenças convivam lado a lado. Basta pensar nas rodas de samba do centro que coexistem numa boa com os góticos da Galeria do Rock.

No entanto, o quesito música de rua ainda deixa um pouco a desejar, talvez por falta de segurança ou de apoio financeiro e moral. É claro que, vez por outra, você pode ter a surpresa de encontrar alguns músicos mandando ver nos Beatles nos arredores da Consolação ou se deparar com uma inusitada sanfona pelos lados do Ibirapuera. Mas certeza mesmo, só os infalíveis hermanos e suas flautas na praça da Sé e a fiel Virada Cultural.

Já os metrôs e trens são um capítulo à parte. Apesar de ainda estarem caminhando para crescer e atender melhor os milhões de usuários diários, é possível se munir de um bom tanto de cultura através deles. Tem exposição, intervenção artística, biblioteca pública e, dependendo de onde você estiver, é só saltar do trem para dar aquela conferida na Pinacoteca, no Centro Cultural São Paulo, no Museu da Língua Portuguesa, no MASP... Mas cadê a música?

Nas estações, a sonoplastia parece se reduzir à comunicação quase mecânica que informa a próxima estação e pede educação. Os músicos de metrô ou buskers são presença rara. Ok, justiça seja feita, existem iniciativas oficiais cá e lá, sempre com hora marcada. Como o Seis na Sé, que refresca a multidão com um pouco de música (tem até quem arrisque um forró), ou a programação variada da estação Santa Cecília, que vale a pena conferir:

A espontaneidade mesmo fica a cargo dos pianos de rua, que esperam pelo primeiro desinibido disposto a tocá-los. Não é preciso necessariamente dominar as teclas, basta ter vontade de virar trilha sonora de desconhecidos por alguns instantes (veja aqui).

O público que se forma em torno do instrumento mostra que não faltam receptividade e espaço para preencher a lacuna dos buskers em Sampa. Seja como estímulo para fugir um pouco do mar de carros ou apenas para agradar os maltratados ouvidos, um pouco de música é sempre bem-vinda. E mesmo que só de passagem, já serve para levar um pouco de cor à acinzentada rotina da terra da garoa.

O Red Bull Sounderground, I Festival Internacional de Músicos de Metrô vem aí e escolheu São Paulo como cenário. Mudança de comportamento à vista aqui no Brasil?


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