De 28 de fevereiro a 12 de março, o paulistano Gabriel Nascimbeni terá como endereço a cidade de Londres. O brasileiro está entre os músicos selecionados para participar do Red Bull Music Academy 2010. Conheça mais sobre o seu estilo e expectativas neste bate-papo.
Como surgiu a ideia de inscrever-se para o Red Bull Music Academy 2010? Já tinha ouvido falar do projeto anteriormente?
Em 2008, participei de uma mini edição do projeto, aqui em São Paulo, na qual fui apresentado ao Red Bull Music Academy. Nesse ano, estavam abertas as inscrições para Barcelona. Me inscrevi, mas não fui selecionado. Em 2009, entrei no site do RBMA e vi que estavam abertas as inscrições para Londres e tentei novamente. Dessa vez caprichei na escolha das músicas e preenchi o formulário com mais cuidado. Acabei sendo selecionado.
Quais músicas do seu trabalho você selecionou para a fase de inscrição e porquê?
Eu tenho bastante coisa produzida por hobbie, em que brinco mais com a questão eletrônica. Aquilo que me define como artista é a canção, que costumo compor no violão. Nessa seleção para Londres, decidi focar esse lado do meu trabalho. Dei especial atenção para as minhas músicas do myspace, que tinha acabado de produzir, com meu parceiro Omar Buchaim – que é especialista em áudio e pôde elevar o trabalho a um patamar mais profissional. Além dessas músicas, coloquei outras canções que havia produzido em casa.
Na sua página do My Space, há uma definição do seu trabalho como “canção popular melodramática”. Conte mais a respeito.
Essa é uma definição já existente como opção no myspace. Achei que, dentre as existentes, era a opção mais fiel ao meu trabalho. Meu trabalho é feito por canções populares, cuja temática é inspirada em sentimentos, no drama e na comédia da existência humana. Então, achei essa definição interessante para caracterizar meu trabalho.
Samba e bossa nova aparecem como referências para o seu trabalho. Qual foi o seu primeiro contato com estes gêneros musicais?
Sempre tive contato com diversos tipos de músicas, pois meus pais sempre ouviram muita coisa, desde o rock até o jazz, passando pela música brasileira. Mas meu interesse por esses gêneros veio mais tarde. Comecei tocando punk rock com os amigos do colégio e, durante um bom tempo, toda minha energia musical foi voltada às guitarras distorcidas de bandas como NOFX, Bad Religion, Ramones, Rancid, entre outras.
Aos poucos, comecei a ouvir outras coisas e me interessar por elas. Fui particularmente cativado pelo jazz e pela música brasileira. Comprei alguns songbooks de artistas que me interessavam como Chico Buarque e Tom Jobim, e passei a estudar como eles faziam aquelas músicas. Eu sempre compus desde que comecei a aprender a tocar violão. Então, das canções de punk rock para as canções mais brasileiras, foi um movimento natural, que acompanhou uma mudança de meu interesse por novos estilos.
Que artistas são a sua principal referência?
Meus artistas favoritos são Chico Buarque (para mim o maior letrista da música brasileira junto com Noel Rosa), Noel Rosa, Tom Jobim (junto com João Gilberto, revolucionou a música brasileira, dando projeção internacional a ela) e Cartola (o maior poeta da música brasileira). Gosto muito de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Lenine, Elis Regina, Milton Nascimento, Nelson Cavaquinho, Pixinguinha, Guinga, João Bosco, Dorival Caymmi, entre outros. Me influenciam também nomes do jazz, como John Coltrane, Charles Mingus, Miles Davis.
Quais são as suas expectativas para o Red Bull Music Academy?
Acho que o mais legal será conhecer pessoas envolvidas com música, aprender com elas e, se possível, encontrar pessoas com que tenha afinidade e possa iniciar projetos com elas. Agora, na real, só consigo sentir aquele friozinho na barriga, como se estivesse em uma montanha russa no escuro.
Conhece os demais participantes da sua turma?
Conheci alguns pelo site. Achei interessante o trabalho deles ser mais voltado para a música eletrônica, muito diferente do que eu faço.
Já consegue imaginar quais seriam as maiores afinidades musicais?
Gostei da voz da Katy B (participante da Inglaterra) e adoraria compor canções que pudessem ser cantadas por outras pessoas.
E sobre a cidade do encontro, Londres, algum lugar especial em mente ou assunto para pesquisar por lá?
Ouvi falar muito bem da cidade. Em termos de música pop, lá talvez seja o centro do mundo, junto com os Estados Unidos. Acho que não há lugar melhor quando se falam em estúdios, equipamentos e cena musical. Quero conhecer tanto a vida noturna, como a diurna. Ouvi falar que existem vários bairros, cada um com uma cena musical diferente. Enfim, estou um pouco perdido, mas vou aproveitar cada oportunidade para conhecer Londres.
O Red Bull Music Academy engloba também um projeto de rádio. Se pudesse pensar numa play list, qual seria a sua sugestão?
Acho que montaria uma playlist abrasileirada, com músicas como Sandra (Gilberto Gil), Falsa Baiana (com João Gilberto), Canto da Ema (João do Vale), A Ponte (Lenine), Coisa nº 7 (Moacir Santos), Minha Esquina (Paulo César Pinheiro), Fica Mal com Deus (Quarteto Novo), Eu Sambo Mesmo (com a Roberta Sá), Todos os Olhos (Tom Zé), Cotidiano (Chico Buarque), Rainha (Céu), O Último Pau-de-Arara (com Clara Nunes), Serrado (Djavan), Bala com Bala (Elis Regina), Bebete Vãobora (Jorge Ben), Espelho (João Nogueira), Samba a Dois (Los Hermanos), Para Lennon e MacCartney (Milton Nascimento), O Cidadão do Mundo (Chico Science & Nação Zumbi), Tinindo Trincando (Novos Baianos), Miudinho (Paulinho da Viola) e Gema (com Teresa Cristina).
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