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No terceiro dia do Red Bull Sounderground, a música pelas dez estações participantes do Festival atiça a curiosidade dos passageiros. Todos esticam o pescoço para entender o que está acontecendo; e aproveitam para dar um tempinho no corre-corre.

Vida longa ao rei
Vindo direto de Nova York, o músico Akil Dasan (foto) se encarregou de dar o tom ao ritmo da estação República na manhã desta quarta-feira. Para começar, alguns de seus parceiros no festival, como Kutner and Koç, de Paris, e a dupla nova-iorquina Tribal Baroque, apareceram por lá para conferir e dar uma força.

Como afirmam os franceses, apesar de estar situada no efervescente centro da cidade, o trunfo daquela estação é justamente o silêncio do local onde acontecem as apresentações. E têm razão: o ponto estratégico de grande circulação e certa tranquilidade deixa a música fluir como ela merece.

Com o som rolando solto, o público logo começa a se concentrar ao redor, seduzido pela mistura fina do violão suave com o beatbox, dois elementos que não costumam aparecer juntos, mas que compõem uma receita de sucesso, como prova Akil.
A multidão pediu bis antes do artista fazer uma rápida pausa. Ele, claro, não se fez de rogado e mandou de cara um mix instrumental de hits de Michael Jackson, encerrando cheio de aplausos e gritos a primeira parte da sua apresentação. Ponto para o pop.

Baião em looping
Munido de uma pedaleira e do som marcante do baixo, que ganha até alguns carinhos durante a apresentação, Pedro Loop, de São Paulo, se encarregou de encher a estação Anhangabaú com um som tranquilo, com forte pegada de reggae.
Foi mais do que suficiente para chamar a atenção do pessoal que passava por lá, muitos deles jovens com camisetas e bonés com as cores do movimento rastafári. A estudante Gisela Oliveira, 23, estava entre eles, acompanhando a música enquanto dançava discretamente.

Outro público para o qual Pedro parece ser unanimidade é o das crianças. De tempos em tempos, algumas puxavam os pais e impunham um momento de música em meio à correria, batendo palmas e assistindo a tudo quase sem piscar. Os filhos dele também apareceram para curtir o show, acompanhados da avó, a atriz Ana Lúcia Torre.

Ao fim, antes de emendar o clássico “Baião” de Luiz Gonzaga, o músico explicou um pouco do que fazia ali: um equipamento gravava tudo o que ele tocava no momento e ia reproduzindo, fazendo os loops que ele carrega no nome artístico. Entendido e aprovado.


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