Confira o perfil dos artistas que participam da residência e também da curadora da edição 2010.
ADRIANO COSTA
1975, São Paulo. Vive e trabalha em São Paulo. Graduado em artes Plásticas pela ECA-USP. Exposições: “Programa Anual de Exposições Centro Cultural São Paulo”, 2010. “Black Barroco”, Galeria Polinésia, São Paulo, 2009. “Tropical Punk”, colaboração com a dupla Tetine, Whitechapel Art Gallery, Londres, 2007; entre outras.
O artista usa como matéria-prima de seu trabalho, elementos que podem ser encontrados nas ruas de uma grande cidade: um caderno pautado envelhecido; a sacola de supermercado deixada de lado; o cobertor usado por mendigos; pedaços de calçada levados ou restos de tecidos. Estes resíduos, aliados ao traço contundente do artista, quase agressivo, reforçam o caráter de urgência de sua obra. É nisso que reside a vitalidade do trabalho deste artista, avesso ao método e aos rigores formais, e que tem o caos como processo e fonte de inspiração.
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BHAGAVAN DAVID
1983, Rio de Janeiro. Vive e trabalha em São Paulo. Atualmente no sétimo período da graduação em Artes Plásticas da FAAP. Exposições: “Entorno de nos Limites da Arte - Ocupação Extemporânea”, Funarte, São Paulo, 2009/2010; “Fratura Exposta”, exposição em apartamento no centro da cidade de São Paulo, 2010; MOMA, Casa da Xiclet, São Paulo, 2009; entre outras.
Bhagavan David é pintor, mas realiza pequenas e importantes transgressões nesta que é a linguagem mais tradicional da arte. Pedaços de madeira de diferentes dimensões e formatos, encontradas nas ruas e levadas para casa/ateliê, tornam-se o suporte para uma pintura que flerta com o tridimensional. Sobre estas madeiras, o artista usa tinta automotiva, que resultam em cores fortes e chapadas com o poder de aproximar o olhar do espectador. As madeiras e a tinta automotiva evocam a ligação com o corpo, conexão presente em toda a obra de David, praticante de esportes desde muito jovem. O movimento e algum grau de desgaste físico estão sempre presentes no seu processo criativo. Talvez por isso as suas pinturas surjam simultaneamente fortes e frágeis, vibrantes e delicadas, tal como um corpo.
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BRUNO BAPTISTELLI
1985, São Paulo. Vive e trabalha em São Paulo. Graduado em artes visuais pela UNICAMP. Exposições: “Portas Abertas”, workshop com a artista Mona Hatoum, Fundación Marcelino Botín, Santander, Espanha, 2010. Ateliê Aberto#1 – Casa Tomada, São Paulo, 2009. “7 meses Curitibanos” – Espaço Cultural BRDE, Curitiba-PR (Bebaprafrente, em dupla com o artista Gustavo Rossini), 2008; entre outras.
O trabalho de Bruno Baptistelli percorre um arco que tem início na pintura, passa pela intervenção pictórica em arquiteturas, e chega às ruas onde explora neste espaço a reorganização de materiais ali encontrados. Nesta última, o artista faz do encontro casual com a desordem. Os restos e o lixo funcionam como ponto de partida para as suas “Reorganizações Urbanas”, nas quais o que normalmente passa despercebido pelos nossos olhos ganha forma e lugar. Sua obra tem uma forte conexão com o que é prosaico e cotidiano, conferindo rigor formal e força poética a toda sorte de restos, como os entulhos que habitam os cantos das cidades, nos fazendo ver o mesmo de uma forma diferente.
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DEYSON GILBERT
1985, São José do Egito, Pernambuco. Vive e trabalha em São Paulo. Graduado em Artes Plásticas pela ECA-USP. Exposições: “Programa de exposições do Centro Cultural São Paulo”, 2010; "Sobre a pontualidade e humor britânicos", Festival 2008; 47° Salão de artes plásticas de Pernambuco, onde recebeu o prêmio bolsa de pesquisa, Recife, 2009; entre outras. Desde 2006 integra o “Grupo de Estudos de Crítica e Curadoria da USP” orientado por Tadeu Chiarelli.
Os trabalhos de Deyson Gilbert apresentam um forte discurso crítico sobre o circuito da arte e a respeito da situação político-econômica da vida em sociedade, porém sem ser panfletário ou ingênuo. Gilbert aborda estas questões a partir de um humor fino e quase irônico. Por transitar entre objetos a partir de intervenções ou coleções - usando muitas vezes uma mistura de desenho, colagem e apropriação – o artista deixa em suspenso a origem e a veracidade do que o espectador vê. A arte surge como um reduto para se pensar criticamente o mundo ao redor, mantendo a distância e a estranheza necessárias; que fazem deste mundo um constante enigma para o olhar e a mente de cada um de nós.
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FLAVIA JUNQUEIRA
1985, São Paulo. Vive e trabalha em São Paulo. Graduada em artes plásticas pela FAAP, São Paulo. Exposições: “A casa em festa”, Galeria Zíper, São Paulo, 2010. Prêmio “Energias na Arte”, Instituto Tomie Othake, São Paulo, 2009; entre outras. Em 2010 a artista integra o Programa Independente da Escola São Paulo - PIESP.
Flavia Junqueira realiza um trabalho no qual mescla fotografia, performance e gestos cenográficos. A artista constrói meticulosamente cenas nas quais ela mesma surge sempre com o mesmo semblante – neutro e melancólico - sugada em meio a um excesso de bens materiais. À primeira vista, as obras de Junqueira parecem sedutoras ao olhar do homem contemporâneo, mas basta atentar-se um pouco mais ao que é apresentado para perceber que a superfície é enganosa. O que surge atraente e evoca alegria, como na série “A casa em festa”, esconde uma escassez de afeto e humanidade. Como os balões negros segurados pela jovem vestida de rosa sentada sobre um mar de confetes, um pedaço de papel de parede rasgado no teto, os três bolos de aniversário sobre uma só mesa; sempre existem pistas de que, em meio ao colorido pulsante e os ícones familiares, há algo sorrateiro prestes a fazer tudo desabar. Assim, o trabalho de Junqueira remonta criticamente a nossa época na qual “aparecer” e “ter” são verbos imperativos, assim como é obrigatória a busca cega pelo bem estar, sucesso e prazer; sendo todos estes movimentos desprovidas de uma genuína vontade do indivíduo.
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HENRIQUE CÉSAR
1987, São Paulo. Graduado em artes plásticas pela FAAP, São Paulo. Exposições: “Vão”, exposição composta pelos integrantes do grupo de estudos da artista Dora Longo Bahia, Galeria Vermelho, São Paulo, 2010; “Blinded Tourist”, exposição resultante de residência, W139, Amsterdã, 2010; “Ateliê Aberto #1”; Casa Tomada, São Paulo, 2009.
O trabalho de Henrique César procura aquilo que está por trás dos finos acabamentos que recobrem os escritórios ou cômodos das casas e apartamentos. Seu foco é investigar o que está no forro por onde passam tubulações, fios, e toda a sorte de aparelhagem que auxilia o mundo a “funcionar”. Como a arte pode lançar um olhar para aquilo que há de mais familiar, a casa, e notar a sua estranheza, as penumbras, as sombras, o que ficou escondido e, por isso, recalcado? Como perceber ali, onde tudo parece estar em pleno funcionamento, o que falha, engasga, interrompendo o fluxo de normalidade e produtividade? Estas são algumas perguntas existentes tanto nas vídeo-instalações quanto nas pinturas do artista, que busca o avesso do que surge límpido e claro, crendo que ali, na sombra, mora uma realidade mais “real” do que aquela que estamos acostumados a ver.
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Sobre a curadora:
LUISA DUARTE, 1979, Rio de Janeiro. Vive e trabalha em São Paulo. Crítica de arte e curadora independente. Em 2010 é mestranda em filosofia pela PUC-SP (defesa marcada para o segundo semestre de 2010). Crítica de arte do Segundo Caderno do Jornal O Globo. Membro do conselho consultivo do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM-SP. Membro do grupo de críticos do Centro Cultural São Paulo. Lecionou durante os anos de 2008 e 2009 na graduação em artes visuais da Faculdade Santa Marcelina. Foi coordenadora do ciclo "A Bienal de São Paulo e o Meio Artístico Brasileiro – Memória e Projeção", 28° Bienal de São Paulo, “em vivo contato”, 2008. Fez parte da comissão curatorial do Programa Rumos Artes Visuais, Instituto Itaú Cultural, 2005/2006.
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