Como você se preparou para a temporada 2010?
Gary Hunt: Acrescentei ao meu treinamento exercícios de trapézio e procurei dividir o treino em várias partes, cada uma com foco muito específico. No caso do trapézio, cumpri os treinos em Paris, intercalando com os exercícios de mergulho. Outra coisa que também fiz e que acabou contribuindo foi uma exibição de salto em altura da qual participei em Abu Dhabi, que durou duas semanas.
Você está preparando novos saltos ou manterá a mesma seleção usada em 2009?
GH: Ainda não tenho muito claro como será meu primeiro salto. Na etapa de estreia, provavelmente executarei o triple half, que realizei nas finais do ano passado e verei o que acontece agora. Em La Rochelle, farei meus dois saltos mais difíceis, e estou feliz com isso.
O novo formato da competição (no qual somente os seis melhores classificados participam da rodada final), significa que você lançará mão do seu salto mais complexo já no segundo round?
GH: Isso é assustador! Pois quando você comete um erro no segundo round, é muito provável que não tenha chances de participar da terceira rodada.
Você acha que isso vai criar uma nova situação para a disputa?
GH: Claro, com certeza! Não sei ainda se irei gostar disso ou não. Mas certamente isto fará com que todos os atletas desenvolvam novas estratégias, além de dar um tempero todo especial à disputa.
Ano passado você disse que precisaria de duas ou três etapas para sentir-se totalmente à vontade com a altura. Este ano o Red Bull Cliff Diving terá seis paradas – isso muda alguma coisa para você?
GH: Pessoalmente prefiro temporadas com mais etapas. Porém estou mais satisfeito este ano porque já domino as variações de saltos que quero usar. Mas claro que na primeira e na segunda etapa eu ainda não irei saltar do mesmo jeito que na última competição do ano passado.
La Rochelle será, outra vez, a etapa que oferecerá a maior altura da temporada. O que significa tamanho desafio tão cedo na temporada?
GH: Não é a situação ideal, pois faz um pouco de frio e a altura é a maior de todas. Ano passado estava meio preocupado com isso e preferia as competições entre 24-25 metros de altura. Mas agora já me acostumei com os saltos mais desafiadores e preciso desta altura extra. No entanto, tenho certeza de que o primeiro salto em La Rochelle será um tanto assustador, a diferença é que me sinto mais confortável com isso agora. Se a etapa oferecesse um altura inferior a de 26 metros, teria que repensar todo meu repertório e prefiro deixá-lo como está neste momento.
O que você acha das locações para este ano?
GH: Os lugares com temperaturas mais baixas sempre significam um desafio a mais para mim, já que tenho uma certa dificuldade em parar de tremer de frio. E, pra completar, tremer de frio prejudica a concentração. Sinceramente, gosto mais das temperaturas amenas dentro e fora da água.
Você quer saber como os outros atletas estão preparando seus novos saltos?
GH: Sim, tenho o maior interesse, mas não mudarei meus planos porque ouvi dizer que alguém está desenvolvendo algo novo. Tenho um salto em mente é com ele que irei seguir. Mas, claro, sempre quero saber no que os outros atletas da competição estão apostando e que tipo de treinamento fazem.
Quem é a sua aposta para favorito do ano?
GH: Acho que o favoritismo sera entre mim, Orlando Duque (Colômbia) e Artem Silchenko (Rússia). Kent de Mont (EUA) evoluiu muito nos últimos dois anos e, se continuar assim, poderá figurar entre os melhores logo, logo...
Você espera uma disputa apertada entre você e Duque?
GH: Na verdade, nunca estive totalmente satisfeito com as minhas performances no passado. E, em 2009, não achava que conseguiria estar entre os primeiros. Só que, ao mesmo tempo, pensava que sim, seria possível e tratei de aprender novos saltos.
Mas este ano é diferente para você, não?
GH: Sim, minha energia e pensamento estão todos voltados para conquistar o título deste Mundial. Ter chegado tão perto disso ano passado, e vencido a final, me deixaram seguro de que inicio esta temporada em ótima forma. É tudo diferente, desde o jeito de pensar cada salto até a realização de cada um deles.
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