montreal5 Marcelo Beraldo

Italianos, japoneses, árabes, brasileiros, judeus, chineses... Não importa de onde venham, imigrantes são muito bem-vindos em Montreal. Tanto que totalizam cerca de 35% da população da maior cidade da província de Québec, no Canadá. Um número e tanto. Toda essa receptividade, como não poderia deixar de ser, se manifesta também na pluralidade cultural que se encontra por lá.

Afinal, nem só de festival de jazz vive a cidade, as manifestações de rua também ocupam uma posição privilegiada. Basta lembrar que o Canadá é palco de vários festivais voltados aos buskers e também dos Fringes, festivais de teatro ao ar livre, que ocorrem em nada menos que quinze cidades – e Montreal não poderia fugir à regra.

Os metrôs e as músicas que soam dentro deles também não escapam da diversidade. Cada uma das estações subterrâneas de Montreal foi projetada por um arquiteto diferente e, em 44 delas, os músicos têm exatos 65 lugares cativos, indicados por uma placa que mostra uma lira branca sobre fundo azul.

 

Até pouco tempo, aliás, bastava aparecer e começar a tocar, sem necessidade de licenças. Mas em meados de 2010, a Associação de Músicos e Músicas do Metrô estabeleceu um sistema de audições e permissões pago, para regulamentar os músicos e valorizar de novo a imagem destes profissionais, que estava um pouco desgastada.

No entanto, mesmo antes disso, a vida dos músicos de metrô em Montreal estava bem longe do caos, tanto que o sistema se mantém. Cada um tem direito a duas horas, é só reservar o horário numa lista que costuma ficar guardada atrás da placa que indica o lugar dos buskers.

Nessa cena, destacam-se alguns artistas inusitados, como é o caso de Greg Dunlevy, que vive de performances nas ruas já há 25 anos e pode ser encontrado tocando sax ou flauta sobre suas pernas-de-pau, ou ainda um misterioso busker que está sempre vestido de Homem-Aranha por lá.

E tem espaço também para outras vertentes, como o grupo Commando Trad, empenhado em manter viva a cultura tradicional canadense, que organiza missões musicais pelos metrôs da cidade:

Outro destaque que vale a pena conferir é o coral Accueil Bonneau, um grupo formado por moradores de rua que vivem no abrigo de mesmo nome e que ganham a vida cantando na rua, com direito a sorriso no rosto e flores para os transeuntes, em ocasiões especiais. Abaixo você confere um documentário na íntegra (em francês), fruto de 18 meses de acompanhamento da vida e do trabalho desses artistas de rua – mais do que um exemplo, eles sintetizam o espírito da cidade.

Choir Boys from EREZI on Vimeo.

 

Fontes:
http://www.stm.info/en-bref/faq3.htm


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