Empunhando seus violões, a dupla Kutner e Koç, formada por Frank Kutner e Sedat Koç, traz um quê de Argentina aos metrôs parisienses. O estilo escolhido, claro, é o tango, para fazer todo mundo dançar. Mas os menos desinibidos ou sem talento para a dança também têm lugar: a sofisticação do som vale a pena de qualquer jeito, garantem os dois.
O percurso traçado até nossos hermanos se deu por acaso. Tanto que, mesmo hoje, Sedat diz que não se sente seguindo carreira na música, embora isso esteja acontecendo de certa forma. “A gente decidiu que ia tocar o melhor repertório possível de tango no violão e o resto foi consequência”, conta. Para ele, o instrumento apareceu na adolescência por pura rebeldia – os pais queriam piano. Aos 20 anos, ele teve uma overdose de bossa nova e, mais para frente um pouco, começou as aulas de tango, que não largou mais. Hoje, ele organiza sessões de dança.
Seu parceiro Frank, autodidata, sempre teve um pé atrás com a música. “Na época, você podia ir para um conservatório aprender música clássica, mas não tinha escolas de música popular para aprender a tocar rock e jazz”, relembra. Ele queria mesmo era fazer percussão, mas acabou ficando no violão. Com seu ouvido atento, montou uma banda com amigos na década de 80 e chegaram até a assinar contrato com uma gravadora. O tango mesmo veio bem depois, também através da dança, que o arrebatou de tal maneira que ele dançava “só” todos os dias da semana.
Para soltar o som, a dupla tira inspiração de influências que chegam do rock’n’roll clássico, passam por jazz, soul e música africana, e encontram forma na figura do mestre argentino Roberto Grela – que curiosamente foi altamente influenciado pelo jazz cigano do francês Django Reinhardt. E não pense que coordenar tantas referências é moleza, como explica Sedat: “O repertório não é fácil e exige muito trabalho e concentração. Por isso é maravilhoso poder praticar no metrô a maneira de lidar com o nervosismo que sempre bate quando estamos diante do público.”
Esse é só um dos atrativos da cultura busker para eles. A capacidade de proporcionar acolhimento num ambiente anônimo e impessoal é outro. “É uma escola e tanto. As pessoas não vão especialmente para te ver tocar, então você precisa prender a atenção delas. Isso transforma totalmente a maneira de transmitir a emoção e a energia do momento. Além do mais, não existe um filtro entre nós e o público, o que facilita o contato humano”, completa Frank.
Trazendo na bagagem a experiência de ter reunido 300 dançarinos de tango de uma só vez nas estações de Paris – o que rendeu até alguns empecilhos de segurança –, eles estão curiosos para ver a reação do público brasileiro e dos tangueiros paulistanos. Por isso, vá treinando seus melhores passos por aí.
ONDE ENCONTRAR KUTNER E KOÇ NO METRÔ:
Dia 08, segunda: Das 17h às 19h na Estação Sé (Linha Vermelha)
Dia 09, terça: Das 11h às 13h na Estação Anhangabaú (Linha Vermelha)
Dia 10, quarta: Das 17h às 19h na Estação Brás (Linha Vermelha)
Dia 11, quinta: Das 17h às 19h na Estação República (Linha Vermelha)
Dia 12, sexta: A partir das 17h na Estação Paraíso (Linha Azul)
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