O britânico Gary Hunt voltou para sua casa na Grã-Bretanha depois de dominar a temporada 2010 do Red Bull Cliff Diving e conquistar o título da competição. Nós encontramos o atleta de 26 anos para falar sobre seus saltos do alto de uma plataforma de 26 metros. Confira a entrevista:
Gary, parabéns por se tornar o campeão de 2010 do Red Bull Cliff Diving. Como é ser o melhor do mundo?
Obrigado. É muito louco. Parece que foi ontem que eu estava em casa assistindo ao esporte com meus amigos pela TV e falando sobre isso. É uma sensação ótima. Eu sempre soube quando via o esporte que isso era algo que eu adoraria.
Você ficou muito satisfeito por derrotar Orlando Duque neste ano depois de chegar tão perto em 2009?
Ele é o cara a ser batido. Ele é nove vezes campeão mundial e é tão consistente que derrotá-lo é uma grande honra. Orlando não ficou tranquilo e simplesmente deu os mesmos mergulhos do ano passado. Desde o início ele apareceu com novos saltos e mostrou que não se entregaria sem lutar.
Que tipo de rivalidade você tem com Orlando e os outros rapazes? Existe camaradagem entre vocês ou é uma rivalidade intensa?
Definitivamente o elemento competitividade está bem menos presente do que nos saltos ornamentais em plataforma de 10 metros. Acho que, como existe mais risco e somos um grupo seleto, a gente acaba se conhecendo bem e você sabe pelo que os outros estão passando. A primeira coisa que todos fazem no final da competição é verificar se todo mundo está bem. Você nunca quer que alguém se dê mal porque sabe quanto pode machucar.
Balazs Gardi / Red Bull Cliff Diving
Eu ficaria aterrorizado só de subir a uma altura dessas. Como é o elemento perigo nos saltos de penhascos?
Pode ser perigoso quando acontecem acidentes, mas se todos os atletas em uma competição forem experientes e seu nível for alto o suficiente, há menos acidentes. Todos nós sabemos que pode acontecer e é isso que deixa o esporte emocionante, saber que há um risco envolvido. Mas eu diria que é um perigo controlado.
Você já teve algum problema?
Eu tive um probleminha na Itália, quanto tentei aprender um novo salto – um quad com dois twists e meio – e fiquei um pouco sem espaço. Não foi a melhor saída da plataforma, então não tive tempo de fazer todas as acrobacias e me machuquei um pouco. Foi bastante superficial e levou só alguns dias para eu me recuperar. Eu tento ficar longe de acidentes. Esse foi o primeiro e espero que seja o único.
Vocês parecem sempre calmos na plataforma. Você fica nervoso lá em cima?
Sim, todas as vezes. Mesmos nos mergulhos fáceis, você tem que estar 100 por cento concentrado e nem sempre isso ajuda. Acho que um pouco de nervosismo ajuda a manter a concentração e garante que você não cometa nenhum erro bobo.
Como você começou no esporte?
Eu era nadador e achava mais interessante observar os saltadores na piscina. Eu também tinha um pouco de experiência em ginástica, e fiquei muito feliz quando pude tentar as acrobacias, e rapidamente me apaixonei. Aí em 2006 tive a chance de participar de uma exibição. Foi aí que conheci um dos atletas e ele inscreveu meu nome em uma série de competições em 2007.
Dá para melhorar ainda mais para o ano que vem?
Estou satisfeito com os saltos que estou fazendo no momento. Ainda tenho na cabeça o quad com dois twists e meio, e para fazer ele vou treinar a minha saída em movimento da plataforma. Vou trabalhar nisso e espero conseguir fazer e ser mais consistente para a próxima temporada.
E o que você vai fazer agora que a competição acabou?
Vou tirar um tempo em breve e sair de férias. Depois é voltar para os treinos, já que a competição começa de novo em fevereiro.
Romina Amato / Red Bull Cliff Diving
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