Portmann_Stratos Francois Portmann

Quando você soube pela primeira vez do Red Bull Stratos?
Felix Baumgartner: Foi em 2004, através do IvanTrifonov, que é balonista. Ele tinha um projeto nesta linha, mas já se considerava velho para colocá-lo em prática. Mais tarde, outro balonista, Per Lindstrand, conversou comigo sobre esta mesma ideia. Per havia trabalhado com Richard Branson numa missão de volta ao mundo à bordo de um balão. Partiu deles a ideia de um projeto nos mesmos moldes do recorde estabelecido por Joe Kittinger. Porém, naquele momento, eles tinham outras prioridades. Então eu conheci Art Thompson, designer especializado em aeronaves, que atualmente coordena a equipe do Red Bull Stratos.

Qual será o momento mais crítico da missão?
FB: Tudo o que sabemos sobre voos em altitudes como essa é que do momento da partida até o pouso sã e salvo na terra, todas as fases são críticas. Por isso, o entrosamento que temos hoje na equipe será fundamental. Afinal, vamos testar como funciona a nossa sobrevivência em condições extremas. Além disso, a missão envolve a quebra da barreira do som, e ainda identificar problemas que pilotos e astronautas podem enfrentar no futuro em situações semelhantes.

Em 1960, Joe Kittinger estabeleceu um recorde ao saltar de uma altura superior a 20 mil metros. Agora, meio século depois, você pretende saltar de uma altura de 36,5 mil metros. Qual o real tamanho deste passo?
FB: É extramente difícil ganhar altitude num patamar como o da estratosfera, por causa das particularidades que este ambiente apresenta. Inicialmente, pensamos em ir a quase 50 mil metros de altura, entretanto, não se trata só de ir o mais alto que você deseja. É sim uma questão de física – nós já estamos dando um passo rumo ao desconhecido. E a 26,5 mil metros de altura é possível ter uma bela estimativa a respeito.

Porque vocês estão usando a mesma tecnologia de 50 anos atrás, a exemplo de Joe Kittinger – ou seja, um balão de polietileno cheio de gás hélio – ao invés de uma tecnologia mais moderna, como um foguete por exemplo?
FB: O balão é ainda a forma mais rápida e com a melhor relação custo-benefício para atingir a estratosfera. E a mais ecologicamente correta também. Nada pode ser mais simples e eficaz numa missão como esta, do que um balão.

Quais seriam as suas vantagens tecnológicas em relação à missão de 1960?
FB: Temos várias vantagens e é por isso que vamos atingir alturas numa antes conquistadas. Por exemplo: Joe não tinha uma gôndola pressurizada, somente sua roupa. Por essa missão possuir objetivos tão arrojados, serão pressurizados tanto a cápsula quanto a roupa, especialmente projetada. Uma servirá de backup da outra. E, claro, usaremos muito dos recursos tecnológicos que temos hoje para colher dados e informações, que em 1960 ainda eram impensáveis. E isso inclui câmeras especiais para captar cada um dos momentos da missão. Mesmo com tantos recursos à disposição, temos uma incógnita pela frente.

Qual é a sua maior apreensão?
FB: Depois de tanto tempo envolvido neste projeto, passei a usar o medo ao meu favor. O medo tornou-se meu amigo. É ele que irá me avisar quando estiver dando um passo além do planejado. Numa missão como esta, é preciso estar mentalmente equilibrado, e com pleno controle de tudo que fizer.

O que te motiva a assumir uma missão como esta?
FB: Desde que começamos a trabalhar juntos há mais de 20 anos, tanto a Red Bull quanto eu estamos sempre em busca de superar nossos limites. O termo “não pode” não faz parte do nosso vocabulário. Red Bull Stratos é um experimento numa área ainda pouco conhecida pela Humanidade. Isso inspira cada uma das pessoas envolvidas e é, sem dúvida, um grande passo. Vamos escrever história. Sem dúvida, este é o ápice da minha carreira. Pelo menos, até descobrir qual será o próximo passo.


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