Buskers_em_Londres_metro kamshots image. Licensed by Creative Commons

Com 270 estações espalhadas pela cidade e mais de 3 milhões de frequentadores diários, o metrô de Londres, mais conhecido como Tube ou Underground, é um dos maiores ícones da cultura busker no mundo – inclusive o próprio termo foi disseminado a partir do inglês britânico, o que já quer dizer muito.

Na terra da rainha, que começou a operar esse tipo de transporte em meados do século XIX, os trilhos totalizam cerca de 400 km. Espaço suficiente para abrigar os mais variados artistas. Para efeitos de comparação, somando as duas maiores redes metroviárias do Brasil, a de São Paulo e a do Rio de Janeiro, obtemos um total de pouco mais de 100 km, que transportam quase 4 milhões de passageiros todos os dias. Uma diferença gritante, que fala por si só.

Para se ter uma ideia, em locais mais populares e movimentados da capital da Inglaterra, como é o caso das estações centrais de Charing Cross ou Tottenham Court Road, os pontos de busking demarcados são disputadíssimos, um indício de que música de rua não é brincadeira pelas bandas de lá. Existem até empresas de locação de equipamentos que ficam abertas 24 horas, consegue imaginar?

Desde 2003, quando o ofício foi regulamentado, os buskers que lutam por um lugar à sombra das estações londrinas passam por um teste – uma apresentação de 5 a 10 minutos diante de uma banca avaliadora que inclui olheiros, profissionais de gravadoras e pessoas do próprio metrô. Depois de uma série de etapas burocráticas que costumam eliminar 20% dos candidatos, eles conquistam licenças anuais que podem ser renovadas.

 

 

 


E a clássica pontualidade britânica não acaba aí. Cada artista tem direito a ficar duas horas em cada ponto, para evitar monopólios e manter a democracia da música de rua. O saldo final é positivo: transeuntes, músicos e autoridades, todos parecem estar satisfeitos com esse sistema.

Existem ainda concursos, como o Rhythm of London, que premia dez jovens buskers promissores com uma licença para tocar – as performances dos finalistas você vê aqui. A vencedora deste ano foi Noemie Ducimetière, de apenas 22 anos:

Em meio a tudo isso, o que não falta são episódios inusitados. Tem busker que já foi convidado para tocar no casamento de um passante, aspirador de pó que toca sax, músicos como Steve Aruni, que atua como busker há 25 anos, ou ainda a honraria máxima de tocar para Vossa Majestade, a própria Rainha Elizabeth II, no Palácio de Buckinham (ou de Buskingham, para os mais engraçadinhos).

Com tantas histórias bacanas para contar, a cidade serve de exemplo e ainda cumpre com aquilo que propõe: representar, com os buskers, a diversidade musical da cidade como um todo. Uma característica que não pode ser ignorada quando você for visitar a cidade, além de uma boa saída para escapar do clima gelado e cinzento que toma conta daquele lado de lá.


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