Aqui, El Bocho fala mais sobre a sua técnica, cheia de cores e com os dois pés na tipografia. Seu próximo projeto? Incluir as esculturas no seu trabalho. Leia o bate-papo e saiba mais do artista em: http://www.elbocho.net/.
Porque você sempre esconde o rosto nas fotos?
Faço isso porque parte do meu trabalho é, digamos, “ilegal”. Ou seja, pintando muros e paredes em vias públicas, sem autorização. Por isso, evito mostrar o rosto.
Como surgiu o convite para o Red Bull House of Art?
Recebi uma ligação perguntando “Quer ir para o Brasil?”, e na hora respondi que sim. Quando me falavam de Brasil pensava em futebol, gente tomando caipirinha, essas coisas. Mas o que realmente me impressionou muito logo de cara foi a situação de muitas pessoas que vivem pelas ruas, e vi isso bem aqui na frente do hotel. Gente cheirando cola, totalmente abandonada, sem qualquer perspectiva. Claro, isso existe na Alemanha, mas em outra proporção. Lá, estas pessoas tem a quem procurar. Aqui, me parece que não.
Qual a sua ideia para a primeira exposição?
Vou mostrar alguns desenhos em papel. Um deles de uma série que fiz que mescla tipografia e arquitetura. E outro em que uso a fotografia.
Como é o uso da fotografia no seu trabalho?
Nesta série que vou mostrar fotografei a mesma pessoa em diferentes cenários, dando a possibilidade de visualizar uma história a partir das imagens. Só que em cada fotografia lanço mão de diferentes técnicas.
E para a segunda exposição, que encerrará o Red Bull House of Art, o que você planeja?
Ainda não tenho claro, mas quero fazer alguma coisa com a participação dessas pessoas que vi nas ruas aqui próximas ao hotel. Realmente fiquei muito impressionado.
De onde vem suas melhores idéias?
Das ruas, sem dúvida. Das ruas e das pessoas que circulam pela cidade, no metrô. Ao colocar minhas impressões em lances e situações totalmente cotidianas, acabo criando uma outra história.
O que mais caracteriza o seu estilo?
Gosto muito da combinação de cores e dos traços retos.
Nas ruas, como você escolhe os lugares para mostrar a sua arte?
Tem sido cada vez mais difícil encontrar lugares sem qualquer intervenção urbana em Berlim. Às vezes, fico dias e dias rodando até encontrar uma locação.
Essa é a sua maior dificuldade para expressar sua arte?
Na verdade não. A grande dificuldade que encontro lá é que a street art ainda não possui um objetivo pelo qual todos os envolvidos nesta cena desejam conquistar. É tudo meio solto, não há uma meta em comum.
E quais são as suas metas pessoais?
Penso em dar aulas e testar novas técnicas em tipografia. Isso no que já faço, pois quero também ingressar na escultura, trabalhar o metal. Mas isso eu ainda preciso estudar para ter os conhecimentos necessários.
E as expectativas para o Red Bull House of Art?
O encontro com os artistas, o contato com novas técnicas também. Vou anotar muitas coisas durante meu tempo aqui para, quando voltar, analisar muito bem cada uma delas.
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